História da Hungría

A origem do povo húngaro - A magyarok eredete

Séculos V-IX.

Os predecessores dos húngaros atuais vieram do extremo leste da Europa, da região ao norte dos montes Urais, denominada Ural-Altaï.  Levavam ali uma vida nômade e tribal, até os meados do primeiro milênio, quando começaram a migrar para o sul, chegando à região do rio Don e depois no final do século IX, adentraram na bacia dos Cárpatos, no coração da Europa.

Os húngaros vêm de duas raízes: fino-ugórica e turca, que se uniram por volta dos anos do nascimento de Cristo. Seu idioma também deriva destes dois idiomas antigos. Os povos parentes dos húngaros na Europa são os finlandeses e os estonianos. Estudos mais recentes demonstram que uma parte dos húngaros já chegou à bacia dos Cárpatos, por volta de 670. Os historiadores denominam este fato de "a primeira conquista da pátria".

Conquista da pátria - Honfoglalás

Em torno de 890, chefes de 7 tribos se unem em um pacto de sangue e elegem Árpád

como seu príncipe.  Liderados por ele, conquistam em 896 a região da bacia dos Cárpatos. Nestas terras onde vivem há 1100 anos, os húngaros iniciam um longo processo de transição parauma vida sedentária em uma sociedade feudal, como eram as demais sociedades européias da época.

Época dos Árpád - Az Árpádok kora (896-1301).

Os descendentes de Árpád reinaram durante 400 anos: nos primeiros 100 anos como príncipes e depois, como reis cristãos. Ao longo deste período a Hungria se transformou num estado forte, tornando-se um dos países mais respeitados e mais conceituados da Europa.  O Príncipe Géza - Géza fejedelem percebeu que, para sobreviver nessa região, os húngaros deveriam abandonar sua vida nômade e pagã e integrar-se aos outros povos europeus, fixando-se definitivamente naquela terra e aderindo ao cristianismo. Santo Estêvão - Szent István(997-1038) filho de Géza, é batizado católico, vindo a ser o primeiro rei cristão da Hungria. Visando escapar das influências germânica e bizantina, aceita a coroa e a autoridade eclesiástica do papa. Foi coroado com pompa e solenidade no ano 1000. Nasce um novo Estado na Europa. Estêvão prova ser um enérgico construtor da nação húngara. Divide o país em distritos, implementa leis, constrói igrejas, conventos e escolas, funda a casa da moeda e difunde a religião e a cultura cristãs. Santo Estevão morre sem deixar herdeiros diretos e desta forma sucedem-se candidatos rivais na condução do reino. Mais tarde, Estevão será canonizado por ter sido o catequista do Reino da Hungria e a posteridade o denominará o Fundador do Estado Húngaro - Honalapìtó

Após alguns anos de turbulência, a Hungria teve dois reis extremamente competentes

São Ladislau - Szent László (1077-1095)

E Coloman O Douto - Könyves Kálmán (1095-1116) que asseguram quatro décadas de florescimento, resultando na consolidação e ampliação das fronteiras do Estado Húngaro, passando a incluir desde os Montes Cárpatos ao norte até a Dalmácia, Bósnia e a Croácia, dominando ainda a Costa Adriática ao sul.

Coloman, um rei culto e estudioso, é o primeiro soberano da Europa ao declarar que não existem bruxas e proíbe por lei sua perseguição.

Béla III - III. Béla (1173-1196)

Ascende ao trono da Hungria após ter sido educado na corte de Bizâncio. Apesar de estar em plena decadência, Bizâncio ainda possuía o aparelho estatal mais desenvolvido do mundo da época. Béla aplica seus conhecimentos de administração pública e monta uma burocracia eficiente sem precedentes na Hungria o que lhe permite cobrar impostos e pedágios e desenvolver monopólios reais de mineração de sais e de metais. Em plena Idade Média, mantinha registros escritos de todos os casos tratados em sua corte, por um secretário que se assinava Anonymus. Amplia dessa forma seu próprio poder e o do país. Durante seu reinado a Hungria se torna um dois países mais importantes do mundo: quando pede a filha do rei de França em casamento, este se informa sobre a fortuna de Bela, e descobre com surpresa que esta era superada em apenas 10% pela de Ricardo Coração de Leão da Inglaterra.

André II - II.Endre

Emite em 1222 a Bula de Ouro - Aranybulla, uma das primeiras constituições do mundo e a primeira Carta Magna da Hungria.

1206 

 O príncipe mongol Djingis Khan (Senhor do Mundo) conquista a metade da China, a Pérsia, os Principados Russos do Sul e tudo que se encontra no entremeio. Após sua morte em 1227, parte de seu exército, comandado por Batu khan volta-se para o Oriente Médio e para a Europa, ampliando as fronteiras do Império Mongol. Os búlgaros do Volga, os kunos e os alanos são aniquilados. Polônia e Hungria são invadidas em 1241. Em 1242, o exército invasor se retira para que seu comandante, possa tomar parte na eleição do novo líder. A invasão deixa um trauma do qual a Hungria leva duas gerações para se recuperar. O rei Béla IV - IV.Béla (1235-1270), chamado de o "Segundo Fundador do Estado Húngaro", dedica seu longo reinado à reconstrução do país. Funda cidades, constrói castelos e fortes, repovoando ainda as regiões mais atingidas e devastadas pela longa invasão.

Reis de diversas dinastias - Vegyesházi királyok (1301-1458).

Em 1301 morre o último descendente direto da dinastia de Árpád, III. Endre. Os húngaros são obrigados a aceitar soberanos de parentes mais distantes ou de outras famílias. Os mais importantes foram:

Roberto Carlos - Róbert Károly (1308-1342)

Da casa napolitana dos Anjou, que reconstrói a monarquia centralizada durante o seu longo reinado. Vindo da Itália - rica em prósperas cidades - estimula a formação de cidades livres, novas praças de mercados e burgos. Estabelece laços familiares com as casas reais da Boêmia e da Polônia. O florim (forint) de ouro, moeda da Hungria,torna-se uma das mais fortes da Europa.

Sucede-o seu filho, Lajos, o Magno - Nagy Lajos(1342-1382). Foi o único rei da Hungria que mereceu o epíteto de "Magno". Continuando a boa administração do seu pai, estende a soberania aos estados limítrofes de Valáchia e Moldávia. Quando o rei da Polônia, seu tio, morre sem herdeiro, Lajos assume também o trono da Polônia. Segue-o no trono desse país sua filha Hedvig, Santa Jadwiga, que se torna também rainha da Lituânia e implanta o cristianismo nestes países, ainda pagãos na época. Lajos o Magno funda a primeira universidade na Hungria em Pécs no ano de 1367. Esses dois reis da Casa Anjou deNápoles, adaptaram-se perfeitamente à sociedade local e tornaram-se húngaros de coração e alma. A história registra que a Hungria nunca foi tão grande e próspera, como durante seus reinados.

Sigismundo de Luxemburgo - Luxenburgi Zsigmond (1387-1437)

Foi o próximo rei húngaro, mais tarde  também rei da Boémia (hojeTchechia) e da Itália. A partir de 1410 se torna Imperador Germânico-Romano. Por causa da extensão do seu Império passa muito tempo fora da Hungria.

Os Hunyadis - A Hunyadiak

No século XVcomeça a expansão do império turco, que avança do sudeste para a Europa. Surge nesse momento um grande líder, comandante militar consumado,uma das maiores personalidades da Hungria, senhor da Croácia, de toda região sul do país e da Transilvânia:

João Hunyadi - Hunyadi János (1437)

Depois de diversas operações brilhantes e ações vitoriosas contra os turcos(1443), ele se afirma como o único líder em condições de fazer frente à ameaça otomana. Eleito Regente, János Hunyadi alcança o apogeu em 1456, quando em Nándorfehérvár (hoje Belgrado!), resiste com sucesso ao avanço maciço das tropas turcas lideradas pelo próprio sultão Muhamad. Com o trauma da queda de Constantinopla em 1453ainda viva na memória, a vitória é festejada pelo mundo cristão afora. Hunyadi é aclamado o "Salvador da Cristandade". Em homenagem àquela vitória heróica sobre os muçulmanos, o Papa ordena que se toquem os sinos de todas as igrejas, todos os dias ao meio-dia, no mundo inteiro. A Hungria detém o avanço turco-otomano durante 100 anos porque, o sucessor de János Hunyadi, seu filho Mathias, cria um país tão poderoso que durante o seu reinado os turcos não se atrevem a atacar o país.

Mathias Corvino -  Hunyadi Mátyás ou Mátyás király (1458-1490)

filho de János, é aclamado rei da Hungria e da Boêmia aos 18 anos. Monta um exército permanente e profissional logo no começo de seu reinado. Administra e governa com tanta eficiência que o país vive um período de grande prosperidade. Durante o seu reinado brilhante, reconquista a Morávia, e anexa a Silésia,a Lusiácia e Viena (hoje Capital da Áustria). Constrói o mais poderoso reino da Europa Central: edifica cidades, monumentos e sua corte em Buda passa a ser local de encontro de artistas de renome internacional, na sua maioria italianos. Um de seus maiores orgulhos é a criação de uma das mais importantes bibliotecas (ainda em "códex") da época. Mátyásfoi de certo modo, o último monarca renascentista. Mereceu o epíteto "o Justo" por salvaguardar a ordem interna e impor limites às arbitrariedades dos senhores feudais. Assegurou a liberdade de ir e vir aos servos e à pequena nobreza. Mátyás morreu precocemente aos 50 anos de idade, sem deixar herdeiro direto.

Os primeiros 500 anos - Az elsö 500 év

Da data da libertação de Buda até o fim da 1ªGuerra Mundial, os Imperadores Habsburgos também foram reis dos húngaros. O principal objetivo destes soberanos, com a exceção de alguns mais esclarecidos, era defender os interesses da Áustria mas acima de tudo, os interesses da Casa Real Habsburgo. Durante a ocupação turca, grandes pedaços do território da Hungria se esvaziaram. Estes territórios passaram às mãos dos austríacos e sua aristocracia recebeu grandes propriedades húngaras. Depois da expulsão dos turcos, o exército estrangeiro permaneceu na Hungria, dando cobertura a governadores impiedosos, que sobrecarregaram o povo húngaro com pesados impostos. Vendo a miséria do país, sentindo o desespero do povo por causa das injustiças e da opressão,

Francisco Rákóczi - Rákóczi Ferenc, descendente dos príncipes da Transilvânia, organiza o levante "kuruc" - kuruc felkelés contra os Habsburgos entre 1703 e 1711. Sob a bandeira de Rákóczi nobres e camponeses, católicos e protestantes húngaros se unem contra a opressão e lutam para conquistar a independência e a união do país. Apesar de muitos atos heróicos e batalhas vitoriosas, a luta de 7 anos é esmagada pelas tropas dos Habsburgos. Rákóczi se vê forçado a emigrar. A Corte de Viena percebe porém que com essa política de opressão, não vai conseguir estabelecer paz e tranqüilidade na Hungria.

Maria Tereza - Mária Terézia (1740-1780)

é uma das personalidades mais destacadas entre os soberanos Habsburgos. Antes de morrer, seu pai o imperador Carlos III não tendo filho homem, decreta sua filha herdeira do trono. Algumas províncias do império não acatam o decreto, e Maria Tereza vê seu trono ameaçado. Quebrando uma longa tradição de desconfiança dos seus antecessores em relação aos húngaros, a imperatriz pede auxílio a esses últimos, que ajudam-na a salvar o trono Habsburgo e a posição da Áustria na Europa.

Durante seu império de 40 anos, Maria Tereza implementa muitas leis modernas. Melhora a situação dos servos. Faz crescer o sistema educacional e permite o ensino em língua húngara nas escolas primárias. Nas de 2º e 3º grau, o idioma oficial continua o alemão, embora o húngaro passe a ser tolerado.Todos os Habsburgos sempre tiveram a ambição de "germanizar" os húngaros. Nem o filho de Maria Tereza,

José II - II.József  (1780-1790) fugiu à regra.

A nobreza húngara resistiu firmemente a essas aspirações despóticas que provocavam reações exatamente opostas nos húngaros: a promoção e o cultivo da língua e da literatura húngaras. Escritores e poetas despertaram a consciência da identidade dos húngaros e assumiram um papel importante no desencadear das idéias reformistas.

O movimento reformista, de uma forma cada vez mais decidida, exigia que os interesses nacionais, como a independência e a autonomia da Hungria fossem legitimados dentro do Império Austríaco. Nós chamamos

"Época de reforma" -  Reformkor, a primeira metade do século XIX. Durante os 150 anos de ocupação turca e mais 150 anos de opressão dos Habsburgos, o desenvolvimento da Hungria ficou prejudicado em comparação aos outros paises da Europa Ocidental. Durante a "época de reforma" os húngaros tentaram recuperar o tempo perdido.

O Conde Estevão Széchenyi - Széchenyi István

Foi uma das figuras mais destacadas da época de reforma, e foi apelidado de o "maior dos húngaros" - a legnagyobb magyar. Fundou a Academia Húngara de Ciências e para este fim, ofereceu a sua renda de um ano. As suas principais iniciativas no campo de economia foram: construção de ferrovias, navegação a vapor no Danúbio, fabricação de navios e máquinas agrícolas, regularização do leito dos rios Tisza e Danúbio, e em 1837 a construção da primeira ponte pênsil, Lánchíd, sobre o rio Danúbio. Resumiu suas idéias em três livros: Hitel - Crédito, Világ - Mundo e Stádium - Situação. Széchenyi queria primeiramente um país economicamente forte, para depois conquistar a independência em cooperação com o governo Habsburgo. A outra grande personagem da reforma, Luís Kossuth - Kossuth Lajos queria antes de tudo, a independência, para em seguida conquistar o progresso econômico. Em 1839 o húngaro passou a ser a língua oficial na legislação e na administração públicas, substituindo o latim. Neste meio tempo, toda Europa estava sendo varrida por revoluções. No ano 1848 elas ocorreram em Paris, Viena, Milão e Berlin.

15 de março 1848

- a juventude de Budapest, liderada por poetas, escritores e artistas, triunfou com a sua revolução pacífica. Os revolucionários resumiram seus desejos em 12 pontos. Estes foram praticamente os itens do programa de Kossuth. O Parlamento é convocado e começa imediatamente a elaborar as novas leis. O rei aceita e assina a nova legislação. Parecia que a revolução pacífica havia atingido os seus objetivos.

Francisco José - Ferenc József (1848-1916)

o novo imperador austríaco, nomeia, sob pressão dos revolucionários, o primeiro ministério independente húngaro. Essa independência húngara no entanto, não atendia aos interesses das diversas etnias radicadas no país, as quais estimuladas por certos grupos políticos austríacos, se rebelaram contra o novo governo húngaro.Em 1848-1849 eclode uma guerra interna: os húngaros, chefiados por Kossuth,não tendo outra saída, começam sua luta em defesa da pátria. As tropas húngaras já parecem vitoriosas, quando o imperador austríaco solicita ajuda do czar russo e tropas russas também invadem a Hungria. As forças invasoras são superiores e o General Görgey, chefe supremo das tropas húngaras, pede armistício na cidade de Világos. Em Arad (cidade da Hungria na época) 13 generais húngaros são executados, passando para história como "Os treze mártires de Arad" - tizenhárom aradi vértanú.

Represália e opressão austríacas na Hungria - Osztrák elnyomás (1849-1865).

As revoluções das outras nações da Europa, como também dos húngaros, criaram uma filosofia nova no continente, onde a idéia de um soberano absoluto não era mais aceita.

Francisco Deák - Deák Ferenc, denominado pela história húngara "o sábio da nação" - a haza bölcse, reconhecendo essa fraqueza da Monarquia, consegue com uma política habilidosa e com a ajuda da formosa imperatriz Elisabeth (Sissi) um Acordo Conciliatório - Kiegyezés, no ano de 1867. Francisco José - Ferenc József, Imperador da Áustria e sua esposa, a Imperatriz Elisabeth são coroados em Budapeste, como rei e rainha da Hungria. Nasce a

Monarquia Austro-Húngara - Osztrák Magyar Monarchia

uma coligação de dois países iguais com dois governos (parlamento, ministérios, tribunal). Só a pessoa do rei e 3 ministros (relações exteriores, finanças e exército) são comuns, isto é; austro-húngaros. Depois do Acordo Conciliatório, recomeça o desenvolvimento e a Hungria se transforma num país moderno. Uma das grandes figuras desta época é Júlio Andrássy - Andrássy Gyula, um conde húngaro, nomeado pelo imperador para servir como o ministro comum (austríaco-húngaro) das Relações Exteriores.

O Milênio – Millénium  (1896).

A Hungria festeja com grande pompa o milênio da conquista da pátria, Honfoglalás. Nas áreas econômicas e culturais detecta-se um progresso espetacular. Inicia-se um grande esforço de construção civil: o Parlamento, teatros, avenidas, a linda Praça dos Heróis, novas pontes sobre o Danúbio e o primeiro metrô do continente europeu. Budapeste se torna uma das metrópoles mais bonitas de Europa. Porém, na política interna e na relação com os grupos étnicos as dificuldades persistem.

Primeira Guerra Mundial - Elsö Világháború (1914-1918).

Graves divergências e tensões políticas e sociais surgem em toda Europa no início do século XX. Em consequência, eclode a 1ª Guerra Mundial.O premier húngaro, Estevão Tisza - Tisza István faz de tudo para evitar a guerra, mas sem sucesso. De um lado lutam as Potências Centrais - Központi Hatalmak: a Monarquia Áustro-Húngara, a Alemanha e mais tarde, a Bulgária e a Turquia. Do outro lado, a Entente - Antant: a França, a Inglaterra, a Rússia e mais tarde, a Bélgica, a Itália, a Grêcia, a Sérvia e os EUA, que também entram no conflito em 1917. Durante os 4 anos de luta houve milhões de mortos; entre os quais 650.000 soldados húngaros. Em 1917 tem início a revolução na Rússia. Os bolchevistas derrubam o império czarista e o novo governo comunista, liderado por Lenin e Trockij, retira-se da Guerra. Porém a Rússia é substituída pelos Estados Unidos, com uma reserva material e humana impossível de sobrepujar. Em 1918- As Potências Centrais são derrotadas, face à enorme superioridade das forças apoiadas pelos Estados Unidos. 1919- Durante o caos, seguido de capitulação, proclama-se uma república bolchevista na Hungria, sob o governo de Béla Kún - Kún Béla, comunista húngaro, recém-chegado de Moscou. 133 dias depois, as forças nacionalistas assumem o comando e elegem o Almirante Nicolas Horthy - Miklós Horthy para liderar o país, com o titulo de Regente - Kormányzó.

1919-1920. Depois do Armistício, seguem-se as discussões dos Tratados de Paz, assinados em Saint Germain com a Áustria, em Versalhes com a Alemanha e no palacete de Trianon (anexo a Versalhes) com a Hungria. Os países perdedores perdem boa parte de seus territórios (a Alemanha, algo em torno de 70.000 km quadrados e a Hungria, mais de 190.000 km quadrados). A Alemanha é ainda condenada a pagar indenizações volumosas aos vencedores. A fome e as doenças assolam a população alemã e milhares de crianças morrem de inanição e tuberculose. Os territórios tomados da Hungria dão lugar a novos países, surgindo nestes territórios a Tchecoslováquia (instalada no antigo Felvidékno norte da Hungria), a Iugoslávia, (implantada no Délvidék ao sul da Hungria) e a Romênia (“herdeira” de toda a região de Erdély, a Transilvânia historicamente húngara).

O Tratado de Trianon

Desmembrou um país de mais de1000 anos. A maioria dos territórios desanexados era habitada por húngaros em quase sua totalidade. Por conta dele, o povo húngaro, que nunca havia saído de sua terra ancestral, passou a ser tcheco, romeno ou iugoslavo da noite para o dia. Muitos, não aceitando ou não suportando esta situação, deixaram sua pátria milenar e emigraram para o "Novo Mundo": Estados Unidos e América do Sul. Esta foi uma das origens da comunidade húngara em São Paulo.Entretanto, as decisões de Saint Germain, Versalhes e Trianon não resolveram as tensões da Europa. Muito pelo contrário, deram motivos para a eclosão da Segunda Guerra Mundial.

Entre as duas Guerras Mundiais - A két Világháború között (1920-1938)

Junto com o território, a Hungria perdeu a maior parte da suas reservas minerais, florestas e muitos milhões de seus habitantes. Durante o governo deEstevão Bethlen - Bethlen István(1921-1931), a Hungria atravessou uma das piores crises de sua história. Apesar disso, este primeiro-ministro habilidoso conseguiu criar as condições necessárias para o surgimento de um estado moderno e independente. Houve grande modernização da indústria e dos transportes, uma reforma agrária moderada, exportação de produtos agrícolas e industriais e adoção de leis sociais: seguro doença e contra acidentes,férias pagas, salário família, etc. Na política externa, com o apoio da Itália e da Áustria, a Hungria conseguiu aos poucos sair do isolamento. Outros grandes estadistas desta época difícil foram o conde Paulo Teleki - Teleki Pál, três vezes primeiro-ministro e Julio Gömbös - Gömbös Gyula, pela primeira vez um primeiro-ministro não aristocrata. Gömbös construiu 8.000 escolas.

1931-1941

- A Hungria procura fazer-se ouvir sobre o Tratado de Paz de Trianon. O país considera o Tratado injusto e pede a sua revisão: quer a recuperação dos territórios perdidos em que a maioria da população é constituída de húngaros. Os desdobramentos da política mundial levam a

Primeira Decisão de Viena (1939)

segundo a qual a Hungria recebe de volta uma parte dos territórios localizados ao norte e ao oeste da Hungria. Na Segunda Decisão de Viena (1940) a parte norte da Transilvânia também é restituída à Hungria.

A Segunda Guerra Mundial e a ocupacão soviética - A Második Világháború és a szovjet megszállás (1941-1989).

Em 1939 é deflagrada a II. Guerra Mundial. A Alemanha recuperada, autoconfiante, fortalecida pelo movimento nacional-socialista e muito bem preparada para a guerra, parte para a retomada de seus territórios perdidos pelo tratado de Versalhes. Uma vez que nenhuma nação estava disposta a dialogar a respeito de uma revisão das fronteiras, ela invade num ataque surpresa, quase toda a Europa inclusive a União Soviética, vislumbrando uma possibilidade de vingança. Como outros países do mundo, entre os quais o Brasil, a Hungria não queria participar desta guerra e por dois anos conseguiu ficar fora dela. Mas a Alemanha insiste e exige, cada vez mais ameaçadora, que o país entre na guerra a seu lado. O primeiro ministro húngaro conde Teleki, não podendo impedir que o exército alemão invada a Iugoslávia sem atravessar o território da Hungria, comete suicídio. Pressionada pelos aliados, a Hungria declara guerra à Rússia.

1943

- O exército húngaro enviado para a Rússia é aniquilado. A Hungria procura em segredo sair da guerra, mas suas tentativas fracassam. Os alemães descobrem estas tentativas e no dia 19 de marco de

1944

as suas tropas ocupam a Hungria. O Almirante Horthy permanece no cargo e forma-se um governo de direita, aliado dos alemães. Em conseqüência da situação bélica cada vez pior, Horthy pede uma trégua em outubro. Os alemães estavam prontos a colocar em combate suas novas armas de altíssima potência e acre ditando no projeto alemão, o governo húngaro desiste da saída da guerra. As tropas húngaras e alemães continuam a defender o fronte leste. Centenas de milhares de famílias húngaras conseguem fugir para o oeste mas logo a Hungria se transforma em palco de guerra e após meses de assédio, a capital Budapeste é invadida pelos russos.

1945 - Fim da 2ªGuerra Mundial

A Alemanha se rende incondicionalmente no dia 8 de maio de 1945 e a Hungria é ocupada pelo exército da União Soviética. Acompanhando o exército soviético,líderes comunistas húngaros treinados em Moscou, chegam à Hungria e com o apoio das forças de ocupação, assumem gradualmente o poder. Depois do ano de 1949 fecha-se a "cortina de ferro" – vasfüggöny e o país afunda no terror. Matias Rákosi - Rákosi Mátyás, líder comunista, anuncia a ditadura do proletariado. As igrejas e seus seguidores são perseguidos. O processo de condenação e o encarceramento do arcebispo-primaz da Hungria, José Mindszenty - József Mindszenty, deixam o mundo inteiro consternado. Propriedades particulares grandes e pequenas são igual e gradativamente confiscadas pelo Estado. Camponeses são forçados a entrar em cooperativas. As prisões ficam lotadas . Torturas e execuções de parentes passam a fazer parte do quotidiano das pessoas.

1956

No mês de outubro, estudantes universitários organizam uma manifestação pacífica a favor de um movimento pró -liberdade na Polônia, mas agentes da Força Pública Estatal (ÁVH = Ávósok) atiram nos manifestantes. Em consequência, no dia 23 de outubro desencadeia-se um levante popular numa nação unida: operários, estudantes, intelectuais e o próprio exército húngaro lutam contra as forças soviéticas. Derrubam a enorme estátua de bronze de Stálin e a estrela vermelha da cúpula do Parlamento. Arrancam de todas as bandeiras húngaras o símbolo comunista: a foice e o martelo. Os combatentes colocam o líder popular, Américo Nagy - Nagy Imre no comando do governo. É declarada a independência da Hungria e começam negociações para a retirada do exército soviético. As tropas soviéticas começam abandonar a Hungria mas param na fronteira a aguardam a reação do ocidente. Este nada faz porque a sua atenção está voltada para o Canal de Suez. Desta forma dia 4 de novembroo poderoso exército soviético se põe em marcha em direção à capital Budapest. Lutas sangrentas ocorrem pelas ruas da capital. Sob a proteção das armas russas, João Kádár - Kádár János organiza um novo governo cuja primeira providência é a perseguição impiedosa dos revolucionários. Imre Nagy é executado junto com seus companheiros e as execuções também atingem os jovens revolucionários havendo entre eles menores de idade, muitos deles estudantes universitários ou simples operários.

O levante de outubro de 1956 na Hungria, apesar de ter sido sufocado pelos tanques soviéticos, pode ser considerado como a primeira rachadura na couraça do comunismo. A partir desta data, este regime se aproxima lenta e gradualmente de sua queda final.

1960

A rígida ditadura exercida no país, vai se afrouxando lentamente. A situação econômica também melhora aos poucos dando espaço para uma orientação central cada vez mais voltada à iniciativa e ao empreendimento particular. A Hungria se transforma na "barraca socialista mais alegre".

1989

O fracasso econômico do regime socialista acaba se consumando. A insatisfação cresce nos países chamados "satélites" onde iniciam-se manifestações e levantes contra o regime comunista e a ocupação da Europa Oriental por tropas soviéticas na Tchecoslovaquia e Polônia, e até na própria União Soviética (Gorbatchov). Os acontecimentos se aceleram e os dirigentes dos países envolvidos vêem-se forçados a conceder aberturas políticas. A Hungria abre suas fronteiras, por onde milhares de alemães orientais passam para Alemanha Ocidental via Áustria. Cai o Muro de Berlin.A Hungria altera seu nome de República Popular Húngara para simplesmente República Húngara e coloca novamente em sua bandeira o brasão húngaro. Volta o multipartidarismo e eleições livres são realizadas em 1990, depois em 1994, 1998 e finalmente em 2002. Desde então, a Hungria é um país independente e livre, uma nação governada democraticamente que adota o sistema econômico ocidental, baseado no mercado livre. Gradativamente, vem conquistando a confiança do mundo, como prova a maciça entrada de investimentos estrangeiros no país. Hoje faz parte da OTAN (NATO) e desde 1º. de Maio de 2004 é um país membro da Comunidade Européia. Entretanto, o grande e doloroso problema da sobrevivência e da preservação dos direitos humanos dos húngaros nas regiões desmembradas desde o início do século XX ainda continua.

Eva Piller (maio 2004)

Cooperadores: Dr. Plínio Carnier jr., Diana Fekete Nuñez, Andras Palluch. 

Pedir orçamento